Uber se une à WeRide para oferecer robotáxi em Abu Dhabi

A Uber anunciou uma parceria com a empresa chinesa WeRide para lançar serviços de robotáxis em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Essa colaboração marca mais um passo na estratégia da Uber de integrar veículos autônomos à sua plataforma globalmente.

Robotáxis com motoristas de segurança

No início, os robotáxis da WeRide operados pelo aplicativo da Uber contarão com motoristas humanos a bordo para garantir uma experiência segura e confiável tanto para passageiros quanto para pedestres. No entanto, a expectativa é que um serviço totalmente autônomo e comercial seja lançado até o final de 2025.

Os primeiros trajetos incluem conexões entre Saadiyat Island e Yas Island, além de rotas para o Aeroporto Internacional Zayed.

Quem é a WeRide?

A WeRide é uma desenvolvedora de veículos autônomos baseada na China e listada na Nasdaq. A empresa possui autorizações para testes e operações de veículos autônomos em várias localidades, incluindo Dubai, China, Singapura e Estados Unidos, de acordo com informações em seu site.

Expansão estratégica da Uber com veículos autônomos

A Uber já vinha realizando dezenas de milhares de corridas com veículos autônomos por mês nos Estados Unidos antes de expandir o modelo para os Emirados Árabes Unidos. Durante uma conferência de resultados do terceiro trimestre, o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, destacou os avanços na estratégia da empresa para veículos autônomos.

“Nossa estratégia de veículos autônomos está funcionando”, afirmou Khosrowshahi, destacando que mais de uma dúzia de empresas do setor já estão colaborando com a Uber. Ele também ressaltou o potencial da empresa em agregar diferentes provedores de veículos autônomos para ampliar seu mercado.

Desafios e oportunidades no mercado de veículos autônomos

Embora a Uber esteja avançando no setor de veículos autônomos, analistas apontam desafios estruturais para o modelo de negócios principal da empresa. A Waymo, da Alphabet, foi citada como um parceiro estratégico e também como uma potencial concorrente nos Estados Unidos.

O analista James Cordwell, da Redburn Atlantic, destacou em nota que a autonomia pode ampliar significativamente o mercado de mobilidade, posicionando a Uber como uma agregadora central para provedores de veículos autônomos. A empresa mantém uma recomendação de compra para as ações da Uber, com uma meta de preço de US$ 90 para o final de 2025.

Ciberataque à Agência Tributária Espanhola: o que sabemos e como se proteger

Um possível ataque informático contra a Agência Tributária Espanhola (AEAT) trouxe à tona preocupações sobre segurança cibernética. Segundo relatos, o grupo de hackers conhecido como Trinity teria comprometido 560GB de dados confidenciais, exigindo um resgate de 36 milhões de euros. Enquanto a AEAT nega a existência de evidências de encriptação ou vazamento de dados, o caso gera questionamentos sobre a preparação das instituições públicas para lidar com ameaças cibernéticas.

O ataque e a ameaça de ransomware

O suposto ataque utilizou um ransomware, ferramenta que encripta dados e exige resgate para liberá-los. Daniel Pérez Asensio, engenheiro de cibersegurança consultado pelo portal Euronews, explicou em entrevista que, nesses casos, pagar o resgate não garante a recuperação ou proteção contra vazamentos. O grupo Trinity, responsável por outros ataques no passado, ameaça divulgar os dados capturados caso o pagamento não seja realizado até 31 de dezembro.

Apesar das alegações, a AEAT, em declarações ao portal Newtral, afirmou que não encontrou evidências que confirmem o ataque. Especialistas alertam, no entanto, que mesmo instituições conectadas a redes seguras, como a rede Sara utilizada na administração pública espanhola, podem apresentar vulnerabilidades.

Trinity e o impacto do ransomware

O ransomware Trinity surgiu em maio de 2024 e é especialmente perigoso por bloquear o acesso aos dados das vítimas, deixando organizações e indivíduos sem controle sobre suas próprias informações. Segundo Pérez Asensio, ataques como esses reforçam a necessidade de planos de backup eficazes e estratégias robustas de cibersegurança.

Além disso, o especialista aponta que a eficácia da resposta institucional está diretamente ligada à adequação aos regulamentos europeus e nacionais, como a diretiva NIS2 e o Sistema Nacional de Cibersegurança. Essas normas buscam estabelecer padrões comuns para avaliar a maturidade e a resiliência cibernética de instituições e empresas.

Como se proteger contra ransomware

Embora instituições públicas e grandes empresas sejam os principais alvos, cidadãos também podem ser vítimas de ransomware. Algumas boas práticas recomendadas incluem:

  • Evitar downloads de fontes não confiáveis: programas de origem duvidosa frequentemente contêm malware.
  • Desconfie de links suspeitos: navegar na web exige cautela para não clicar em links que possam comprometer sua segurança.
  • Manter backups regulares: garantir uma cópia segura dos seus dados pode ser a única maneira de restaurá-los em caso de ataque.

Pérez Asensio enfatiza que o bom senso é essencial para evitar ataques no dia a dia. Estar atento a possíveis sinais de comprometimento é uma prática indispensável.

Outros ciberataques em instituições espanholas

Este não é o primeiro caso de ciberataque envolvendo instituições espanholas. Em 2023, a Direção-Geral de Viação enfrentou um ataque que afetou seus serviços digitais temporariamente. Em 2022, o Serviço Público de Emprego Estatal sofreu um incidente semelhante, interrompendo sistemas e impactando milhares de cidadãos.

Esses episódios destacam que nenhuma instituição está completamente imune a ameaças cibernéticas. A prevenção, combinada com respostas rápidas, é essencial para minimizar os danos causados por ataques.

O caso da AEAT reforça a importância da conscientização e do investimento em segurança cibernética, especialmente em um cenário onde a sofisticação dos ataques aumenta continuamente.

H: a start-up francesa criadora do que Runner H está chamando atenção no mercado de IA

A H, start-up francesa anteriormente conhecida como Holistic, lançou recentemente seu primeiro produto no setor de inteligência artificial, o Runner H, prometendo revolucionar o mercado com uma abordagem inovadora e acessível. A informação é do portal Euro News.

Fundada por veteranos do laboratório de IA DeepMind da Google, a empresa aposta em agentes de IA capazes de automatizar tarefas complexas e oferecer eficiência a empresas e programadores.

O Runner H, o primeiro produto da H, é um agente de inteligência artificial desenvolvido para facilitar processos empresariais. O sistema foca em tarefas como automação de fluxos de trabalho, garantia de qualidade e otimização de operações, oferecendo maior produtividade e simplicidade. Segundo o CEO Charles Kantor, o objetivo do produto é “permitir que as pessoas aproveitem a IA como nunca antes”. Apesar de ainda estar em fase de testes, o produto já atrai atenção pelo seu potencial no mercado.

Equipe fundadora e operações da H

A H foi fundada no final de 2023 por Charles Kantor, pesquisador da Universidade de Stanford, e Laurent Sifre, ex-membro do DeepMind. Outros especialistas, como Karl Tuyls, Daan Wierstra e Julien Perolat, fizeram parte da equipe inicial, mas saíram da empresa devido a “diferenças operacionais”. Atualmente, a H emprega cerca de 50 pessoas, com escritórios em Paris e Londres.

O diferencial da H no mercado de inteligência artificial

O grande trunfo da H está em seu modelo de IA compacto. Com apenas 2 bilhões de parâmetros, o sistema é significativamente menor do que o ChatGPT-3, que opera com 175 bilhões de parâmetros. Essa abordagem reduz os custos operacionais, tornando a tecnologia mais acessível para empresas. Mesmo com um modelo menor, a H afirma que seu desempenho supera concorrentes como Anthropic, Mistral e Meta, especialmente em benchmarks como o WebVoyager.

Investimentos e apoio de grandes nomes

A H atraiu grandes investidores antes mesmo de vender seu primeiro produto. Entre os apoiadores estão Bernard Arnault, CEO do grupo LVMH, Xavier Niel, fundador da Iliad, além de gigantes como Amazon, Samsung e o ex-CEO da Google, Eric Schmidt. A empresa já arrecadou cerca de US$ 220 milhões, destacando-se como uma das start-ups mais bem financiadas no setor de tecnologia.

Concorrência e planos futuros

Embora a H esteja entrando em um mercado competitivo, com gigantes como Microsoft e Anthropic também desenvolvendo agentes de IA, sua proposta de tecnologia acessível pode preencher lacunas significativas. A empresa já se posiciona como uma alternativa econômica e eficiente, prometendo entregar resultados sólidos para empresas que buscam inovação sem altos custos. Com sua base sólida de financiamento, uma equipe de especialistas renomados e a proposta de um modelo mais enxuto e eficiente, a H pretende liderar o mercado de automação e IA, trazendo inovações que podem definir o futuro da tecnologia na Europa e no mundo.

O lançamento do Runner H coloca a H em uma posição estratégica no setor de inteligência artificial. Combinando inovação tecnológica, acessibilidade e o apoio de grandes investidores, a start-up francesa promete impactar o mercado de IA e abrir caminho para novas possibilidades em automação de processos e superinteligência artificial.

Amazon realiza primeiro teste de entregas com drones na Itália

Em comunicado à imprensa realizado na semana passada, a Amazon anunciou a conclusão bem-sucedida de um teste inicial de entregas com drones na Itália, tornando o país o primeiro na Europa a receber essa iniciativa. O teste ocorreu na cidade de San Salvo, localizada na região central de Abruzzo, no dia 4 de dezembro.

Avanço no uso de drones na Europa

Este marco faz parte dos planos da Amazon de lançar seu serviço de entregas com drones, chamado Prime Air, na Itália e no Reino Unido até o final de 2024. A empresa afirmou que está colaborando com autoridades italianas para atender a todos os requisitos regulatórios antes de iniciar o serviço comercial no próximo ano.

No Reino Unido, o órgão regulador de aviação selecionou em agosto seis projetos para testar o uso de drones em diferentes setores, incluindo entregas, inspeção de infraestrutura e serviços de emergência. Um desses projetos inclui a participação da Amazon.

Prime Air: expansão global

O serviço Prime Air foi lançado pela primeira vez em dezembro de 2022 e atualmente está em operação em locais selecionados nos estados norte-americanos do Texas e do Arizona. Segundo a Amazon, a expansão do serviço ocorrerá gradualmente, incluindo novos países como parte da estratégia de crescimento.

O drone usado no teste italiano foi o modelo MK-30, uma versão avançada e automatizada que integra o sistema de visão computacional da Amazon. Este sistema permite que os drones detectem e evitem obstáculos com segurança, preservando a integridade de pessoas, animais e propriedades, além de garantir a separação de outras aeronaves durante as operações.

Implicações para o futuro da logística

O sucesso deste teste reforça o compromisso da Amazon em inovar no setor de logística, oferecendo soluções mais rápidas e eficientes para os consumidores. O uso de drones representa um passo significativo na automação de entregas, prometendo reduzir custos e tempos de espera, além de diminuir o impacto ambiental com o uso de tecnologias mais sustentáveis.

Com o lançamento planejado para 2025, a Amazon se posiciona como uma das pioneiras na implementação de drones para entregas em larga escala, não apenas nos Estados Unidos, mas também no cenário europeu.

“Brain Rot”: a palavra do ano segundo a Oxford University Press reflete exaustão mental da era digital

A Oxford University Press anunciou que a expressão “brain rot” foi escolhida como a Palavra do Ano de 2024, capturando o impacto profundo da exaustão mental causada pelo consumo excessivo de conteúdo digital. A escolha reflete como a vida moderna, saturada por telas e estímulos incessantes, afeta nossas capacidades cognitivas e emocionais.

O que significa “brain rot”?

O termo “brain rot”, traduzido literalmente como “apodrecimento cerebral”, descreve o declínio das capacidades mentais devido ao tempo prolongado consumindo conteúdos online, especialmente de baixa qualidade. Usado frequentemente de forma bem-humorada e autodepreciativa nas redes sociais, o termo ganhou força para expressar os efeitos negativos de atividades como a rolagem infinita no TikTok ou o consumo de notícias sensacionalistas.

A expressão foi amplamente adotada para descrever o impacto de práticas repetitivas no ambiente digital, e seu uso cresceu 230% entre 2023 e 2024, de acordo com dados linguísticos analisados pela Oxford University Press.

Origem e popularidade de “brain rot”

Embora associado à cultura digital contemporânea, o termo tem raízes históricas. Foi registrado pela primeira vez no século XIX por Henry David Thoreau no livro Walden (1854), onde criticava a sociedade por se inclinar a ideias simplistas e descartar reflexões mais profundas: “Enquanto a Inglaterra tenta curar a podridão da batata, ninguém tenta curar a podridão do cérebro — que prevalece muito mais amplamente e fatalmente.”

Na era digital, “brain rot” ganhou novo significado, refletindo a estagnação mental e o cansaço causados pelo consumo excessivo de conteúdo. Esse uso se popularizou especialmente em redes como TikTok e Instagram, plataformas amplamente criticadas por promoverem hábitos prejudiciais à saúde mental.

Efeitos do “brain rot” no bem-estar

Diversos estudos apontam que o uso excessivo de redes sociais pode levar a problemas como ansiedade, depressão e baixa autoestima. Instituições como o Newport Institute descrevem “brain rot” como resultado de um consumo massivo de dados irrelevantes, notícias negativas e imagens editadas, que criam sentimentos de inadequação.

A fadiga mental gerada por essa sobrecarga de estímulos pode prejudicar a produtividade, a motivação e o foco, especialmente entre os jovens. Além disso, a necessidade de estar constantemente conectado, tanto para trabalho quanto para lazer, exacerba esses efeitos.

O impacto no ambiente de trabalho

O cenário profissional, especialmente com o crescimento do trabalho remoto, ampliou a dependência de ferramentas digitais e, consequentemente, a fadiga causada pelas telas. E-mails intermináveis, videoconferências e notificações constantes criam um estado de hiperatividade mental com pouca profundidade, afetando a produtividade e aumentando o risco de burnout.

O fenômeno, conhecido como fadiga de telas, também está relacionado à redução do engajamento e à insatisfação no ambiente corporativo, o que pode gerar maior turnover e custos para as empresas.

Reconhecimento global e discussões futuras

A escolha de “brain rot” como Palavra do Ano não é apenas um reflexo dos desafios modernos, mas também um convite a repensar nossa relação com a tecnologia. Proibições de celulares em escolas e outras iniciativas estão sendo implementadas em diversos países para reduzir distrações e mitigar os efeitos psicológicos adversos do uso excessivo de redes sociais.

Ao reconhecer “brain rot” como símbolo de 2024, a Oxford University Press destacou a importância de encontrar um equilíbrio entre o mundo digital e a preservação da saúde mental. Trata-se de um chamado à ação coletiva para combater os danos associados à hiperconectividade e ao consumo desenfreado de conteúdos de baixa qualidade.

Bill Gates Indica 5 Livros para Ler nas Férias de Fim de Ano

Com a proximidade do fim do ano, o bilionário Bill Gates compartilhou sua tradicional lista de livros recomendados para as férias em seu blog, Gates Notes. Este ano, o cofundador da Microsoft escolheu quatro obras que exploram temas sobre o passado, presente e futuro, além de uma sugestão bônus. Segundo Gates, as escolhas refletem seu interesse em compreender as rápidas transformações do mundo atual.

“An Unfinished Love Story”, de Doris Kearns Goodwin

Este livro autobiográfico da renomada historiadora explora a relação de Goodwin com seu falecido marido, que trabalhou como redator de discursos para os presidentes John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson. Além de ser uma história pessoal, a obra também aborda eventos históricos cruciais, como o assassinato de Kennedy e a Guerra do Vietnã. Gates elogiou a escrita cativante de Goodwin, que combina relatos íntimos e históricos com maestria.

“A Geração Ansiosa”, de Jonathan Haidt

Para Gates, este é um livro essencial para pais, educadores e qualquer pessoa que lide com jovens. Haidt examina como o avanço dos smartphones e a diminuição de brincadeiras livres estão impactando o desenvolvimento emocional das crianças e adolescentes. A obra não só descreve o problema, mas também apresenta soluções práticas para ajudar a reverter esses efeitos.

“Engineering in Plain Sight”, de Grady Hillhouse

Grady Hillhouse oferece uma visão fascinante sobre as estruturas tecnológicas que fazem parte do nosso cotidiano, explicando desde torres de celular até transformadores elétricos. Gates descreve este livro como uma leitura que recompensa a curiosidade, ideal para quem gosta de entender o funcionamento do mundo ao seu redor.

“The Coming Wave”, de Mustafa Suleyman

Considerado por Gates como a melhor introdução ao impacto da inteligência artificial e de avanços científicos na sociedade, a obra de Mustafa Suleyman explora os benefícios e riscos iminentes dessas tecnologias. O livro se destaca por oferecer uma visão clara e detalhada sobre como a IA está moldando o futuro e os desafios que devemos enfrentar para aproveitar seus potenciais.

Bônus: “Federer”, de Doris Henkel

Se você é fã do ex-tenista Roger Federer, este livro pode ser um presente perfeito. Com fotos inéditas e uma retrospectiva detalhada da vida e carreira do atleta, a obra é uma homenagem ao legado de Federer. Gates destaca que, mesmo achando que conhecia a história do tenista, descobriu novos detalhes ao ler o livro.

Reflexões de Bill Gates

Gates finaliza sua lista destacando que, em tempos de mudanças aceleradas, compreender o mundo e as forças que o moldam é essencial. Os livros escolhidos refletem sua busca por conhecimento e inspiração, oferecendo leituras que combinam aprendizado e prazer para fechar o ano com reflexões profundas.

Criadores podem perder € 22 bilhões com avanço da IA até 2028, aponta estudo da CISAC

Na última quarta-feira, a CISAC (Confederação Internacional de Sociedades de Autores e Compositores) divulgou um relatório alarmante sobre os impactos da inteligência artificial (IA) no mercado criativo. Segundo o estudo, criadores de música e audiovisual podem enfrentar perdas de receita de 24% e 21%, respectivamente, até 2028, totalizando uma perda acumulada de € 22 bilhões (R$ 139 bilhões) ao longo de cinco anos.

Impacto da IA no mercado criativo

O relatório, produzido em parceria com a consultoria PMP Strategy, destaca dois fatores principais que ameaçam os criadores:

  1. Uso não autorizado de obras por IA generativa: modelos de IA estão utilizando conteúdo humano sem remuneração, comprometendo a fonte de receita dos criadores.
  2. Concorrência com conteúdo gerado por IA: obras criadas por inteligência artificial competem diretamente com criações humanas, reduzindo as oportunidades de mercado para artistas.

Segundo a CISAC, o mercado de conteúdo gerado por IA crescerá significativamente, saltando de € 3 bilhões (R$ 18 bilhões) em 2023 para € 64 bilhões (R$ 405 bilhões) em 2028. No entanto, boa parte desse crescimento ocorre às custas da reprodução não licenciada de obras humanas.

Ameaças ao mercado musical e audiovisual

O impacto será particularmente grave para a indústria musical. A CISAC estima que até 2028, 20% das receitas das plataformas de streaming de música serão provenientes de conteúdos gerados por IA, enquanto 60% das bibliotecas de música dessas plataformas já poderão ser compostas por obras criadas por inteligência artificial.

No setor audiovisual, tradutores e adaptadores para dublagem e legendas serão os mais afetados, com um risco de perda de 56% em suas arrecadações. Roteiristas e diretores também enfrentarão cortes significativos, com uma redução salarial projetada entre 15% e 20%.

Chamado por regulamentação

Björn Ulvaeus, presidente da CISAC, enfatizou no relatório a necessidade de regulamentação eficaz para proteger os criadores humanos:

“A IA tem o poder de desbloquear novas e emocionantes oportunidades, mas devemos aceitar que, se mal regulamentada, a tecnologia também pode causar grandes danos aos criadores humanos, às suas carreiras e meios de subsistência.”

A confederação pede por um ambiente regulatório que garanta remuneração justa aos artistas cujas obras são usadas para treinar modelos de IA, bem como medidas que protejam a competitividade das produções humanas.

CEO da Intel renuncia em meio à crise financeira da empresa

A Intel, uma vez líder no setor de semicondutores, enfrenta mais um momento de turbulência com a surpreendente renúncia de seu CEO, Pat Gelsinger, após menos de quatro anos no cargo. A saída ocorre em um momento delicado para a empresa, que luta contra problemas financeiros e perde terreno para rivais como a Nvidia.

Dupla interina assume liderança

A direção da Intel será conduzida interinamente por dois executivos: David Zinsner, atual vice-presidente executivo e diretor financeiro, e Michelle Johnston Holthaus, responsável pelo grupo de Produtos Intel, que engloba áreas como computação do cliente e rede de IA. Ambos atuarão como CEOs interinos enquanto o conselho de administração busca um substituto definitivo para Gelsinger, que também renunciou ao cargo no conselho.

O presidente do conselho de administração, Frank Yeary, assumirá temporariamente o papel de presidente executivo. Yeary elogiou a contribuição de Gelsinger, destacando sua liderança na revitalização da fabricação de semicondutores de ponta e na promoção da inovação em toda a empresa.

Desafios financeiros e cortes na força de trabalho

A Intel registrou um prejuízo de 16,6 bilhões de dólares (cerca de 15,7 bilhões de euros) no último trimestre, o que reforça os desafios enfrentados pela companhia. Em agosto, Gelsinger havia anunciado planos para cortar cerca de 15% da força de trabalho da empresa, totalizando 15 mil empregos, como parte de um esforço para economizar 10 bilhões de dólares até 2025.

Além disso, a empresa enfrenta incertezas quanto ao financiamento federal prometido pela administração Biden. Inicialmente, a Intel receberia 8,5 bilhões de dólares em subsídios e 11 bilhões de dólares em empréstimos para a construção de fábricas de semicondutores. No entanto, fontes revelaram à Associated Press que parte desse financiamento pode ser reduzida, embora essa decisão não esteja relacionada aos resultados financeiros da empresa.

A ascensão da Nvidia e a perda de protagonismo

Enquanto a Intel luta para recuperar seu espaço, sua principal rival, Nvidia, consolidou-se como líder no mercado de chips voltados para inteligência artificial. A superioridade da Nvidia foi destacada recentemente com sua inclusão no índice Dow Jones Industrial Average, substituindo a Intel e marcando um ponto crítico na disputa entre as duas empresas.

A transição na liderança da Intel ocorre em um momento crucial, em que a empresa busca reestruturar suas operações, modernizar suas fábricas e competir em um setor cada vez mais dominado por avanços tecnológicos e demanda por chips de alto desempenho.

Meta alcança valorização recorde após decisão judicial contra TikTok nos EUA

As ações da Meta Platforms continuaram sua trajetória ascendente na sexta-feira, subindo 2,4% e fechando em um recorde histórico. A alta foi impulsionada pela decisão de um tribunal federal de apelações que manteve a lei exigindo que a ByteDance, controladora do TikTok, venda o aplicativo ou enfrente uma proibição nos Estados Unidos.

Crescimento exponencial das ações da Meta

Com essa nova alta, a Meta acumula um aumento de 77% no valor de suas ações em 2024, após quase triplicar sua valorização em 2023. Isso eleva o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 1,6 trilhão, consolidando-a como uma das gigantes da tecnologia.

O desempenho da Meta acompanha o crescimento de outras grandes empresas de tecnologia. A Amazon também atingiu um recorde histórico de fechamento na sexta-feira, enquanto o índice Nasdaq, alimentado pelos ganhos das grandes empresas de tecnologia, subiu 0,8% no dia e acumula 32% de alta no ano.

Meta e a nova administração Trump

Na semana passada, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, participou de um jantar com o presidente eleito Donald Trump no resort Mar-a-Lago, na Flórida. Durante o evento, Zuckerberg apresentou os óculos equipados com câmeras Ray-Ban da empresa, sugerindo uma tentativa de se alinhar à nova administração.

A relação entre Zuckerberg e Trump tem sido marcada por controvérsias, mas o encontro indica que a Meta busca uma posição ativa no governo, especialmente considerando os desafios regulatórios e competitivos que a empresa enfrenta.

TikTok: um rival sob pressão

O TikTok, um dos principais concorrentes da Meta, tem cerca de 170 milhões de usuários nos EUA e conquistou popularidade, especialmente entre o público jovem. Em abril, o presidente Joe Biden assinou uma lei que exige que a ByteDance venda o TikTok. Caso contrário, empresas como Apple, Google e provedores de internet teriam que descontinuar o suporte ao aplicativo.

Na sexta-feira, um painel de três juízes do Tribunal de Apelações dos EUA em Washington, D.C., rejeitou o argumento do TikTok de que a lei viola a Primeira Emenda. O TikTok anunciou que pretende apelar à Suprema Corte, confiando na tradição da corte de proteger os direitos de liberdade de expressão dos americanos.

Estratégia de eficiência e inteligência artificial da Meta

A alta da Meta começou no final de 2022 e ganhou força em 2023, após Zuckerberg declarar o ano como o “ano da eficiência”. A empresa cortou cerca de 21 mil empregos e reconstruiu seus sistemas de publicidade com tecnologias de inteligência artificial.

No terceiro trimestre, a Meta relatou um aumento de 19% na receita em relação ao mesmo período do ano anterior, embora tenha alertado sobre um aumento significativo nos gastos com infraestrutura em 2025. Além disso, a empresa registrou 3,29 bilhões de “pessoas ativas diariamente” em suas plataformas no trimestre, um aumento de 5% em comparação ao ano anterior.

Zuckerberg destacou os investimentos da Meta em novos produtos e serviços de IA, que incluem grandes gastos em unidades de processamento gráfico da Nvidia e no desenvolvimento de centros de dados para suportar essa infraestrutura.

Avanços na IA e planos futuros

Na sexta-feira, Zuckerberg usou o aplicativo Threads para anunciar que o Meta AI atingiu quase 600 milhões de usuários mensais ativos e que a empresa em breve lançará a versão 3.3 do modelo de linguagem Llama, de código aberto. No entanto, ele não especificou como a Meta define um “usuário ativo mensal” para sua tecnologia de IA.

A Meta segue fortalecendo sua posição no mercado de tecnologia, diversificando suas operações e apostando em inovação com inteligência artificial, enquanto enfrenta a concorrência acirrada e os desafios regulatórios globais.

Banimento do TikTok nos EUA encerra mais uma etapa decisiva com derrota da empresa chinesa

A batalha do TikTok para impedir seu banimento nos Estados Unidos enfrentou mais um desafio significativo. Nesta sexta-feira, um painel de apelação federal manteve a decisão de uma lei do governo Biden que exige que a ByteDance, empresa-mãe chinesa do TikTok, venda o aplicativo ou enfrente a proibição no país. O prazo, que já está se aproximando, deve ser cumprido um dia antes da posse do presidente eleito Donald Trump.

Caso o processo avance como previsto, lojas de aplicativos como Apple e Google, além de empresas de hospedagem na internet, serão obrigadas a interromper a distribuição e atualização do TikTok, enfrentando penalidades caso descumpram a determinação.

A TikTok argumenta que a lei viola os direitos da Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão. Organizações como a ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis) reforçam essa posição, chamando a decisão de um precedente perigoso para os direitos civis.

Patrick Toomey, diretor adjunto do Projeto de Segurança Nacional da ACLU, afirmou:
“Proibir o TikTok viola flagrantemente os direitos da Primeira Emenda de milhões de americanos que usam o aplicativo para se expressar e se conectar com pessoas ao redor do mundo.”

A decisão judicial

O tribunal não aceitou o argumento de violação da Primeira Emenda. Na opinião do juiz Douglas Ginsburg:

“A Primeira Emenda existe para proteger a liberdade de expressão nos Estados Unidos. Aqui, o Governo agiu unicamente para proteger essa liberdade de uma nação adversária estrangeira e para limitar a capacidade desse adversário de coletar dados sobre pessoas nos EUA.”

A TikTok pretende recorrer da decisão à Suprema Corte, embora ainda não seja certo se o tribunal aceitará o caso. A empresa se mostra confiante: “A Suprema Corte tem um histórico estabelecido de proteger o direito dos americanos à liberdade de expressão, e esperamos que faça o mesmo neste importante caso constitucional.”

Histórico do TikTok na justiça estadunidense

A disputa jurídica em torno do TikTok nos EUA começou em 2019, com uma série de projetos de lei que tentavam restringir o alcance do aplicativo. O argumento central é o risco de segurança nacional, uma vez que a ByteDance está sujeita às leis de inteligência da China, que, teoricamente, poderiam obrigá-la a compartilhar dados com o governo chinês. O TikTok nega consistentemente essas alegações.

Além disso, a recente decisão tem impactos no mercado financeiro. A notícia fez com que as ações da Meta, concorrente direta do TikTok, subissem 2,4%, destacando as ramificações econômicas e estratégicas da possível proibição.

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