Proposta do Google tenta responder acusações de monopólio no mercado de buscas

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) apresentou recentemente uma lista de soluções para corrigir o comportamento anticompetitivo do Google e restabelecer a concorrência no mercado de motores de busca. As propostas incluíam medidas drásticas, como a venda do navegador Chrome, do sistema operacional Android e da loja Google Play. Na última sexta-feira, o Google respondeu com sua própria lista de sugestões, que foca em ajustes contratuais e financeiros.

As soluções propostas pelo Google

Ao invés de desmembrar seus produtos, como sugerido pelo DOJ, o Google propôs alternativas que abordam:

  • Pagamentos a empresas como Apple e Mozilla: esses pagamentos garantem o posicionamento prioritário de seus serviços nas plataformas dessas empresas.
  • Acordos de licenciamento com fabricantes de dispositivos Android: o Google se compromete a dissociar licenças de apps populares, como Chrome e Google Assistente, do licenciamento da Play Store.
  • Contratos com operadoras de telefonia móvel: a empresa sugere limitar a exclusividade de seus aplicativos pré-instalados.

Por um período de três anos, o Google planeja impedir que novos contratos vinculem licenças do Chrome, do buscador ou da Play Store à pré-instalação de outros aplicativos, como o Google Assistente ou a nova IA generativa Gemini.

Além disso, a empresa propõe que seja permitido pagar por posição de destaque em navegadores, mas que tais acordos sejam revisados anualmente e permitam múltiplos contratos em diferentes plataformas ou modos de navegação.

A posição do Google e os próximos passos

Lee-Anne Mulholland, vice-presidente de regulamentação do Google, afirmou no blog oficial da empresa que “esta decisão foi sobre nossos contratos de distribuição de busca, então nossas propostas de remediação são direcionadas a isso”. A companhia também planeja apelar da decisão do juiz Amit Mehta, que classificou o Google como monopolista e acusou a empresa de manter essa posição de forma intencional.

O Google se comprometeu a enviar uma proposta revisada até o dia 7 de março de 2025, antes do início do julgamento sobre o caso, previsto para abril.

O impacto no mercado de buscas

A decisão de manter pagamentos por posicionamento padrão e a flexibilidade para novos acordos pode ajudar o Google a sustentar sua influência, mas também reflete uma tentativa de evitar medidas mais severas, como a partilha de dados de busca com concorrentes, uma sugestão também incluída na lista do DOJ.

Se a proposta do Google será aceita, ainda é incerto. A audiência de abril pode definir novos rumos para o setor de tecnologia e a regulação de grandes empresas no mercado global.

2024: um ano de ativismo digital e impacto cultural de uma contracultura confusa

2024 foi marcado por uma crescente politização do espaço digital. Um dos destaques do ano foi a amplificação sem precedentes do movimento pró-Palestina, que ganhou força desde os ataques de 7 de outubro de 2023. Jovens ativistas e celebridades transformaram suas plataformas online em palcos para chamar a atenção sobre a crise humanitária nos territórios ocupados. Ferramentas como o TikTok foram usadas de forma criativa, como na “Operation Watermelon”, que manipulou algoritmos para manter o foco no conflito de Gaza.

Enquanto isso, jornalistas cidadãos como Bisan Owda e Medo Halimy emergiram como figuras centrais no fornecimento de informações e imagens, destacando também as limitações e preconceitos das plataformas sociais, que foram acusadas de censurar vozes palestinas.

A luta para salvar o TikTok

O TikTok enfrentou novas tentativas de proibição nos Estados Unidos, desta vez culminando em uma lei assinada pelo presidente Joe Biden, que exigiu a venda da plataforma ou seu banimento a partir de janeiro de 2025. Campanhas massivas de usuários e organizações civis tentaram reverter a decisão, argumentando que a proibição violava direitos de liberdade de expressão. A questão agora aguarda um veredito da Suprema Corte.

Uma era de boicotes digitais

Estratégias tradicionais de boicote ganharam nova vida no ambiente digital, muitas vezes inspiradas pelo movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções). Listas de empresas e celebridades a serem boicotadas viralizaram, com diferentes graus de eficácia. Esses movimentos refletiram uma conscientização coletiva sobre como o engajamento online pode ser transformado em ação política tangível.

Redes sociais no centro das atenções

O impacto das redes sociais em causas sociais e políticas também foi amplamente debatido. Movimentos como o #Blockout2024, que incentivava o bloqueio de celebridades durante eventos como o Met Gala, mostraram como os usuários estão usando suas interações como forma de protesto. Paralelamente, a plataforma X, anteriormente Twitter, perdeu milhões de usuários em meio a controvérsias relacionadas ao proprietário Elon Musk, levando muitos a migrarem para alternativas como Bluesky.

Eleições e ativismo nos Estados Unidos

O ciclo eleitoral de 2024 nos Estados Unidos trouxe exemplos poderosos de como as redes sociais podem ser usadas para mobilizar eleitores. Campanhas como “Swifties for Kamala” e ações coordenadas por grupos como #WinWithBlackWomen mostraram o impacto de comunidades digitais na arrecadação de fundos e engajamento político. Após as eleições, estados aprovaram medidas significativas, como a inclusão de direitos ao aborto em constituições estaduais, e figuras progressistas, como Sarah McBride, alcançaram marcos históricos.

Um novo despertar digital

O ano de 2024 deixou claro que os usuários de plataformas digitais não estão mais dispostos a aceitar passivamente as decisões de poderosos. Seja em conflitos internacionais, seja em disputas políticas locais, o ativismo online provou ser uma ferramenta essencial para promover mudanças e responsabilizar líderes, ainda que isso se dê – com alguma contradição – dentro de espaços que são propriedade de pessoas envolvidas com o status quo, como ficou claro durante e após a eleição estadunidense. O futuro da ação digital promete ser ainda mais intenso e conflituoso.

República Democrática do Congo processa Apple por uso de minerais de conflito

A República Democrática do Congo (RDC) apresentou queixas-crime contra subsidiárias da Apple na França e na Bélgica, acusando a gigante da tecnologia de utilizar minerais de conflito em sua cadeia de fornecimento. O governo congolês alega que a Apple estaria se beneficiando de minerais saqueados da RDC e processados globalmente, o que, segundo as acusações, a torna cúmplice de crimes cometidos por grupos armados que controlam minas no leste do país.

Alegações de envolvimento com “minerais de sangue”

As denúncias, formalizadas por uma equipe de advogados internacionais representando o ministro da Justiça da RDC, apontam que minerais essenciais para a fabricação de dispositivos eletrônicos, como estanho, tântalo e tungstênio — conhecidos como “minerais 3T” —, estariam sendo extraídos de zonas de conflito. O processo acusa a Apple de permitir que esses recursos sejam “branqueados” por meio de cadeias de abastecimento globais, financiando indiretamente milícias armadas e perpetuando um ciclo de violência.

Os advogados afirmaram em uma declaração conjunta que essas práticas contribuíram para graves violações dos direitos humanos, incluindo trabalho infantil forçado e devastação ambiental. Além disso, destacaram que o conflito no leste da RDC, uma das regiões mais ricas em minerais do mundo, já deslocou milhões de pessoas e gerou um desastre humanitário com assassinatos em massa e violência sistemática.

Resposta da Apple às acusações

Em comunicado divulgado após a apresentação dos processos, a Apple negou categoricamente as alegações, afirmando que “contesta veementemente” as acusações. A empresa destacou que, diante do agravamento dos conflitos na região, notificou seus fornecedores no início de 2023 para suspenderem o fornecimento de minerais provenientes da RDC e do Ruanda.

“Reconhecemos que a situação na região é muito difícil e aumentamos nosso apoio a organizações que ajudam comunidades locais,” declarou a Apple. A empresa também reiterou seu compromisso com práticas de fornecimento responsáveis e transparentes.

Mineração ilegal e envolvimento do Ruanda

As acusações não são novas no contexto da RDC. O governo congolês e a ONU já alertaram anteriormente sobre o contrabando de minerais 3T para o vizinho Ruanda, que frequentemente nega as alegações. Grupos de direitos humanos afirmam que essas práticas alimentam o financiamento de grupos armados e dificultam esforços para estabilizar a região.

Ação inédita contra uma gigante da tecnologia

Robert Amsterdam, advogado norte-americano envolvido no caso, chamou as denúncias de um marco histórico: “Estas queixas-crime são as primeiras ações judiciais apresentadas pela RDC contra uma grande empresa de tecnologia.” Segundo ele, este é apenas o começo de uma série de processos legais para responsabilizar empresas multinacionais pelo impacto de suas cadeias de abastecimento em zonas de conflito.

As autoridades na França e na Bélgica agora avaliarão as provas apresentadas para decidir se abrem investigações formais contra a Apple. Se avançarem, estas ações podem desencadear um debate mais amplo sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia em garantir cadeias de suprimentos livres de violações de direitos humanos e práticas comerciais enganosas.

World enfrenta medidas corretivas devido a violações de proteção de dados na União Europeia

A World, projeto de identificação biométrica cofundado por Sam Altman, da OpenAI, foi notificada pela autoridade de proteção de dados da Baviera, na Alemanha, por não estar em conformidade com as normas do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) da União Europeia. A empresa foi ordenada a corrigir seus procedimentos e iniciar um processo de eliminação de dados, de acordo com o portal Euro News.

O funcionamento da tecnologia da World

A World utiliza um dispositivo chamado “Orb” para escanear íris e rostos, criando uma forma de identificação pessoal que permite aos usuários se autenticarem como humanos em atividades online. Esses dados são processados pela Tools for Humanity, empresa sediada em São Francisco, mas a infraestrutura europeia da World está localizada na Baviera, Alemanha.

O dispositivo da World promete proteger a privacidade ao mesmo tempo que valida identidades, algo crucial na era da inteligência artificial. No entanto, a autoridade alemã identificou “riscos fundamentais de proteção de dados” no procedimento de coleta e armazenamento de informações, que não atendem às exigências do RGPD.

Decisão da autoridade de proteção de dados da Baviera

Após meses de investigação, o Gabinete Estatal de Supervisão da Proteção de Dados da Baviera (BayLDA) determinou que os métodos da World não são compatíveis com o RGPD. Foi ordenado à empresa que implementasse um procedimento de eliminação de dados, garantindo que todos os usuários possam exercer seu direito ao apagamento das informações coletadas.

Michael Will, presidente da BayLDA, declarou:

“Com a decisão de hoje, estamos aplicando as normas europeias de direitos fundamentais a favor dos titulares dos dados num caso tecnologicamente exigente e juridicamente muito complexo.”

A World recorreu da decisão e busca clarificações judiciais sobre o uso das chamadas Tecnologias de Melhoria da Privacidade para assegurar que atendem à definição de anonimização na UE.

Mudanças no processamento de dados

Damien Kieran, diretor de privacidade da Tools for Humanity, afirmou que a empresa já alterou seus processos. No passado, códigos de íris eram armazenados em uma base de dados centralizada, mas agora um protocolo criptográfico divide essas informações em três partes, que são armazenadas em bases de dados de terceiros, incluindo universidades e outras entidades independentes.

Essas mudanças, segundo Kieran, eliminam a posse dos dados pessoais pela World, garantindo que os códigos sejam praticamente impossíveis de decifrar e que a privacidade dos usuários seja protegida.

Expansão global e desafios legais

A World já opera em países como Alemanha, Japão, Coreia do Sul, México e Estados Unidos, e planeja expandir para Irlanda, França, Reino Unido e Itália. Contudo, Espanha e Portugal impuseram proibições temporárias ao projeto devido a preocupações com a privacidade dos dados.

Damien Kieran defendeu que a falta de uma definição clara de anonimização na legislação europeia é um desafio. Segundo ele, essa definição é essencial para permitir o uso responsável de tecnologias que protejam a privacidade na era da inteligência artificial.

Enquanto a World enfrenta regulamentações rigorosas na UE, a controvérsia sobre como equilibrar inovação tecnológica e proteção de dados continua sendo um tema central no debate global sobre privacidade e IA.

Apple planeja lançamento de iPhone dobrável em 2026

A Apple está se preparando para entrar no mercado de smartphones dobráveis, com previsão de lançar um iPhone revolucionário em 2026. A informação foi divulgada pelo jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, e corroborada pelo Wall Street Journal recentemente. O dispositivo contará com uma tela dobrável de aproximadamente 20 polegadas, marcando a entrada da empresa em um segmento que promete mudar o futuro do design de smartphones.

Design e diferenciais do iPhone dobrável

O novo iPhone dobrável promete oferecer uma experiência única e superior aos modelos já disponíveis, como o Samsung Galaxy Z Fold. A Apple está focada em eliminar os vincos na tela, um problema comum nos dispositivos dobráveis atuais. O objetivo é criar uma superfície contínua e sem interrupções visíveis, garantindo maior fluidez no uso do aparelho.

Além do iPhone, a Apple está explorando a possibilidade de um iPad dobrável com tela gigante, o que reforça a intenção de expandir sua linha de dispositivos dobráveis. Especula-se que o sistema operacional do iPhone dobrável será uma versão adaptada do iPadOS, otimizando a interface para as novas funcionalidades que o formato exige.

Rumores sobre design e funcionalidade

Embora a Apple não tenha confirmado oficialmente o design, rumores indicam que o dispositivo pode adotar um formato semelhante ao Galaxy Z Flip da Samsung, com um estilo de concha que combina portabilidade e elegância. Essa abordagem reflete a tentativa da empresa de atender tanto aos entusiastas por inovação quanto aos consumidores que priorizam praticidade.

O impacto no mercado de dobráveis

Com o mercado de smartphones dobráveis em expansão, a entrada da Apple promete intensificar a concorrência e impulsionar novas inovações no segmento. Atualmente dominado por marcas como Samsung e Huawei, o setor pode ganhar um novo nível de sofisticação com a chegada da Apple, que busca sempre superar expectativas de design e tecnologia.

Ainda restam dúvidas sobre como a empresa lidará com desafios técnicos, como a durabilidade da tela e o equilíbrio entre funcionalidade e design. No entanto, a expectativa é de que a Apple aproveite sua expertise em inovação para entregar um produto que redefina o padrão dos dispositivos dobráveis.

Inteligência Artificial identifica mais de 70 mil novos vírus de RNA

Um grupo internacional de pesquisadores utilizou ferramentas de inteligência artificial (IA) para descobrir mais de 70 mil vírus de RNA até então desconhecidos pela ciência. A descoberta foi feita por meio da metagenômica, uma técnica que permite analisar o material genético de amostras ambientais sem a necessidade de isolar ou cultivar os vírus em laboratório.

A vastidão desconhecida dos vírus de RNA

Os vírus de RNA são microrganismos amplamente distribuídos que infectam animais, plantas e até bactérias. No entanto, apenas uma pequena fração deles é conhecida pela ciência. A caracterização desses organismos é essencial, já que alguns vírus podem causar doenças graves em seres humanos. Apesar de esforços anteriores, os métodos tradicionais enfrentam dificuldades para identificar novos vírus devido à alta taxa de evolução desses microrganismos.

Um dos desafios comuns na identificação de vírus de RNA é localizar a seção do genoma que codifica a RNA polimerase dependente de RNA (RdRp), uma proteína crucial para a replicação viral. Sequências muito diferentes das já conhecidas dificultam o reconhecimento por métodos convencionais.

Inteligência Artificial para decifrar o genoma viral

A equipe de pesquisadores adotou uma abordagem inovadora, usando inteligência artificial para superar as limitações existentes. Em um estudo publicado na revista Cell, eles desenvolveram um modelo chamado LucaProt, que combina técnicas avançadas de predição de proteínas com análises genômicas. A ferramenta utilizou o ESMFold, uma tecnologia de predição de estruturas proteicas desenvolvida pela Meta, e incorporou princípios da arquitetura usada em sistemas como o ChatGPT.

O modelo foi treinado para reconhecer as enzimas RdRp em grandes bancos de dados genômicos públicos. Essa abordagem permitiu identificar cerca de 160 mil vírus de RNA, dos quais quase metade nunca havia sido descrita antes.

Implicações e próximos passos

Embora os pesquisadores tenham conseguido identificar uma quantidade impressionante de novos vírus, ainda não foi possível determinar os hospedeiros dessas partículas virais. Uma área de particular interesse é investigar se algum desses vírus infecta arqueias, um domínio da vida para o qual ainda não há vírus de RNA claramente identificados como infectantes.

Esse avanço representa um passo importante na exploração do universo viral e reforça o papel das tecnologias de IA na biologia moderna. No entanto, os cientistas alertam que mais estudos são necessários para compreender o impacto potencial desses novos vírus, incluindo riscos para a saúde humana e animal.

A descoberta destaca como a combinação de big data, IA e biologia molecular pode abrir novas fronteiras na ciência, ajudando a mapear melhor a diversidade biológica e a enfrentar desafios globais de saúde pública.

Facebook enfrenta críticas por restringir alcance de veículos de notícias palestinos durante guerra entre Israel e Gaza

Uma investigação da BBC revelou que veículos de notícias palestinos enfrentaram severas restrições no Facebook durante o conflito entre Israel e Gaza. A análise mostrou uma queda de 77% no engajamento das páginas desses veículos após outubro de 2023, em contraste com um aumento de 37% para veículos de notícias israelenses.

Impacto sobre as vozes palestinas

Plataformas como o Facebook e o Instagram tornaram-se vitais para a cobertura da guerra, especialmente em Gaza, onde poucos jornalistas externos tiveram acesso. Páginas como Palestine TV e Wafa foram fontes essenciais para o público global. No entanto, o alcance dessas publicações foi drasticamente reduzido. A Palestine TV, por exemplo, relatou uma queda de 60% na visibilidade de suas postagens, segundo o jornalista Tariq Ziad.

Os jornalistas palestinos levantaram suspeitas de shadow banning — prática em que conteúdo é intencionalmente ocultado sem aviso prévio. Enquanto isso, dados da BBC mostraram que veículos árabes de fora da Palestina, como Al-Jazeera, tiveram um aumento médio de 100% no engajamento no mesmo período.

Resposta da Meta

A Meta, proprietária do Facebook e Instagram, negou qualquer intenção deliberada de suprimir vozes palestinas, alegando que erros podem ter ocorrido devido à complexidade da moderação de conteúdo durante o conflito. Documentos vazados indicaram mudanças no algoritmo do Instagram, que supostamente intensificaram a moderação de comentários de usuários palestinos. A Meta justificou essas ações como resposta ao aumento de discurso de ódio.

“Reconhecemos que cometemos erros, mas qualquer insinuação de que suprimimos deliberadamente uma determinada voz é inequivocamente falsa”, afirmou um porta-voz.

Desafios enfrentados por jornalistas palestinos

Mesmo diante de restrições e riscos de segurança, jornalistas em Gaza continuam trabalhando. Omar el Qataa, fotojornalista em Gaza, destacou que vídeos de massacres frequentemente não alcançam ampla visibilidade devido às políticas das plataformas. Desde o início do conflito, 137 jornalistas palestinos foram mortos, mas muitos permanecem na linha de frente para registrar os acontecimentos.

A reportagem da BBC destaca o impacto dessas restrições na liberdade de expressão e no direito à informação, especialmente em tempos de guerra.

Amazon enfrenta pressão para negociar com o sindicato enquanto trabalhadores ameaçam greve

A Amazon.com está sob crescente pressão para negociar com o sindicato International Brotherhood of Teamsters, enquanto milhares de trabalhadores ameaçam entrar em greve durante a movimentada temporada de vendas de final de ano. Recentemente, funcionários em Nova York, Califórnia e Illinois votaram a favor da greve caso a Amazon não inicie negociações. Na quarta-feira (18), trabalhadores de uma unidade em Atlanta se juntaram ao movimento, tornando-se a oitava instalação a apoiar a ação.

Possíveis impactos da greve

Embora a greve não deva paralisar as operações da Amazon, que emprega mais de 700 mil trabalhadores em cerca de mil armazéns nos Estados Unidos, um movimento coordenado às vésperas do Natal pode causar interrupções na cadeia de suprimentos. Além disso, enviaria um sinal claro da intenção do sindicato de causar impacto financeiro na gigante do comércio eletrônico.

Especialistas apontam, no entanto, que a Amazon provavelmente resistirá a qualquer tentativa de negociação, temendo que isso encoraje movimentos sindicais em outras unidades. “A Amazon tem uma estratégia clara de ignorar os direitos dos trabalhadores e evitar negociar coletivamente”, afirmou Benjamin Sachs, professor de Direito do Trabalho na Universidade de Harvard. Ele destacou que, mais de dois anos após a sindicalização bem-sucedida em Staten Island, a empresa ainda não reconheceu o sindicato.

Histórico de resistência da Amazon

A Amazon tem um longo histórico de resistência à sindicalização. Em 2021, uma votação em Bessemer, Alabama, para formação de um sindicato foi anulada, e a empresa foi acusada de agir ilegalmente para frustrar o processo. Uma terceira eleição foi recentemente ordenada por um juiz administrativo.

A empresa argumenta que já paga salários acima da média do setor e investe em automação para reduzir riscos de lesões no local de trabalho. Contudo, trabalhadores criticam o foco excessivo em produtividade, que muitas vezes leva a acidentes e condições de trabalho exaustivas. Segundo Jake Rosenfeld, professor de sociologia da Universidade de Washington, “a Amazon tem mostrado repetidamente que não quer absolutamente nada com a sindicalização”.

Estratégias legais e possíveis mudanças

Enquanto a Amazon resiste às demandas sindicais, também avança com medidas legais, incluindo objeções junto ao National Labor Relatiistons Board (NLRB) e um processo federal que desafia a constitucionalidade da própria agência. A empresa alega que o sindicato não representa tantos trabalhadores quanto afirma e que métodos coercitivos foram utilizados para incentivar a adesão.

A greve planejada ocorre em um momento crítico, com possíveis mudanças na legislação trabalhista sob o governo de Donald Trump, que assumirá em breve. John Logan, professor de estudos trabalhistas na Universidade Estadual de São Francisco, observa que esta pode ser a última oportunidade do sindicato de exercer influência significativa antes de um ambiente regulatório menos favorável.

A Amazon ainda não respondeu às recentes demandas dos Teamsters, mantendo sua postura de resistência aos sindicatos e demonstrando sua determinação em proteger sua autonomia operacional frente às pressões crescentes.

Suécia considera limites de idade nas redes sociais para combater recrutamento de gangues

A Suécia está avaliando a possibilidade de implementar um limite de idade para o uso de redes sociais, inspirando-se nas medidas recentemente aprovadas na Austrália. A iniciativa visa combater o recrutamento de crianças e jovens por gangues criminosas, que têm usado plataformas como TikTok, Instagram e Snapchat como ponto de partida para suas atividades, de acordo com o portal Euro News.

Redes sociais como porta de entrada para o crime

Segundo a polícia sueca, o primeiro contato de criminosos com crianças ocorre frequentemente por meio das redes sociais. Após estabelecerem um vínculo inicial em plataformas populares, os criminosos migram para aplicativos de mensagens encriptadas, como Signal e Telegram, para planejar atos ilícitos de forma discreta. “As conversas passam a ser realizadas sem que outros percebam muito”, alertou a polícia em comunicado.

Essa preocupação é reforçada por dados do International Self-Report Delinquency Study de 2024, que aponta uma taxa de 11% de jovens suecos envolvidos em atividades de gangues, tornando o país um foco de criminalidade relacionada a esses grupos na Europa.

Colaboração regional e pressão sobre empresas de tecnologia

A Suécia já colabora com a Dinamarca para pressionar empresas de tecnologia a reprimir anúncios que recrutam jovens para cometer crimes violentos. O foco dessa cooperação é exigir maior responsabilidade das plataformas digitais na moderação de conteúdos que incentivam a violência e o crime organizado.

Crescente impulso por regulação

A ideia de limitar o acesso de jovens às redes sociais não é exclusividade da Suécia. Recentemente, a Noruega propôs elevar a idade mínima de consentimento para 15 anos, acima do padrão atual de 13 anos. Caso essa medida avance, os pais ainda poderão autorizar o uso das plataformas por crianças abaixo da idade mínima.

Outros países europeus também têm tomado medidas semelhantes. França e Reino Unido adotaram regulamentações que exigem que empresas de redes sociais obtenham consentimento parental antes da criação de contas para menores de idade. Já a Austrália tornou-se pioneira ao proibir completamente o uso de redes sociais por crianças com menos de 16 anos, alegando preocupações com segurança online.

Uma questão urgente para a Suécia

Com uma das taxas mais altas de homicídios relacionados a gangues na Europa, a Suécia enfrenta uma necessidade crescente de abordar o impacto das redes sociais no recrutamento de jovens para o crime. A implementação de limites de idade é vista como uma possível solução para proteger as crianças e reduzir a influência das gangues no país.

Se avançar com essa proposta, a Suécia se juntará a uma tendência global que busca equilibrar o acesso às redes sociais com a necessidade de maior segurança para os usuários mais jovens.

Nike encerrará operações da RTFKT, empresa de colecionáveis digitais adquirida em 2021

A Nike anunciou que encerrará as operações da RTFKT, empresa adquirida em 2021 como parte de sua estratégia de expansão no metaverso. A decisão foi comunicada em uma postagem da RTFKT na rede social X, afirmando que a empresa será encerrada até o final de janeiro de 2025. A RTFKT ficou conhecida por criar colecionáveis digitais, incluindo tênis virtuais, e foi pioneira na produção de calçados digitais que podiam ser transformados em produtos físicos.

A marca ganhou destaque com sua inovação, incluindo um tênis digital da RTFKT que foi exibido recentemente no Museu de Arte de Portland. No entanto, a Nike já havia sinalizado mudanças na direção da RTFKT em setembro, ao anunciar a suspensão temporária da produção de tokens não fungíveis (NFTs), principal produto da empresa. Apesar disso, a Nike confirmou que continuará parcerias com desenvolvedores de videogames para criar produtos virtuais, como itens para uso em jogos.

Mudança de foco sob a liderança de Elliott Hill

O encerramento da RTFKT ocorre pouco após Elliott Hill assumir o cargo de CEO da Nike. Embora Hill ainda não tenha detalhado seus planos publicamente, as recentes decisões da empresa indicam um retorno às suas raízes, com foco em atletas e esportes tradicionais. Essa abordagem mais conservadora reflete uma estratégia de priorizar os pilares fundamentais da Nike, deixando de lado projetos considerados periféricos.

O declínio do mercado de NFTs e sua influência na decisão

Quando adquirida em 2021, a RTFKT estava avaliada em US$ 33 milhões, em meio ao auge do mercado de NFTs, que gerava grande interesse por ativos digitais como arte e colecionáveis. Contudo, o mercado de NFTs rapidamente perdeu força, resultando na desvalorização massiva desses ativos. Muitos itens digitais, antes avaliados em milhões de dólares, tornaram-se obsoletos, o que afetou diretamente a viabilidade de negócios como o da RTFKT.

Especialistas do setor veem a decisão da Nike como estratégica. Matt Powell, consultor de varejo da Spurwink River, comentou que o movimento de Hill é acertado ao priorizar fundamentos da marca e abandonar iniciativas menos essenciais. “Focar no que é essencial faz mais sentido para o momento”, disse Powell.

Impactos e o futuro da Nike no digital

Apesar do fim das operações da RTFKT, a Nike mantém seu interesse em produtos digitais, como parcerias para desenvolver itens virtuais em jogos. Essa estratégia sugere uma adaptação da empresa ao mercado digital, concentrando esforços em projetos alinhados com suas áreas de expertise.

A decisão de encerrar a RTFKT reflete os desafios enfrentados pelas empresas que apostaram no mercado de NFTs e no metaverso, mas também destaca a capacidade da Nike de ajustar sua estratégia para garantir competitividade no mercado global.

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